Pais “carregados” de material escolar se acotovelando no portão de entrada (até lembravam os tropeiros do início do século – só que eles pareciam ser....as mulas, não duvide), crianças chorando (imaginando que seus pais as abandonariam pra sempre... — e não me diga que você não passou por isso!), adolescentes se reencontrando, dando risada e mil beijinhos de saudades (que ‘amorzinhos’ são!), pelos corredores à procura de suas salas, mochilas esbarrando umas nas outras e nas pessoas (deixando alguns ‘daqueles pobres e desprevenidos pais’ caídos no corredor sem sequer terem sido percebidos pelo ‘gentil causador’ de tal constrangimento), num misto de euforia e expectativa... Afinal, eles tinham muuuuuuuuuuito pra colocar “em dia”: fofocas mil!!!!!!!!!
Era o início de mais um ano letivo.
No auge de meus “longos 10 anos”, apesar de também estar me sentindo meio perdida naquele burburinho todo, não conseguia disfarçar contudo, minha ansiedade para conhecer a “garota novata” da escola. Todos só falavam nela. Diziam que era bem bonita, de outro país e... o melhor: seria da minha sala!
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Toca o “sinal”.
Início da primeira aula.
Caramba... Já estávamos na terceira aula do dia e ela ainda não havia entrado na sala! Será que havia se perdido naquele imeennnnso colégio? Eu mal conseguia me concentrar na apresentação dos novos professores de tão ansiosa.
Quando estávamos quase no horário do intervalo (eu já tinha até esquecido da “dita cuja”), a diretora do colégio, Irmã Solange, “adentra” à nossa sala cerimoniosamente com a “deusa grega” e apresenta-a, acrescentando que “nossa nova coleginha era canadense (finalmente! Pelo menos ela não era de outro planeta! Mais um pouco e eu começaria a pensar que ela era um E.T. produto da minha imaginação.), ainda não falava português e precisaria muito de nosso carinho e apoio nesses primeiros dias”. Pronto. Era tudo o que eu precisava ouvir pra buscar um meio de conhecer a tal beldade. Começou então minha “via-crúcis” para conhecer Daphne Goud – sim, esse era o seu nome.
O desafio do desconhecido sempre me atraiu. Desde aquela época.
Pra quem era chamada de “quatro olhos” e ainda era bolsista ( o que significava..pobre), aquela garota era algo incomum tal e eu queria, não só conhecê-la, bem como sua cultura diferente,as diferenças...enfim, eu queria conhecê-la! Normalmente, eu não teria chance de conhecê-la em outro contexto... Ela era linda! (já existia o conhecido estereotipo da linda menina loira com “carinha de americana ser a mais bonita”) Eu só havia visto semelhante nos livros que eu havia lido até então. Parecia aquelas princesas que são descritas nos contos de fada (cá pra nós, não era tudo isso, mas ai de quem ousasse falar isso pra mim naquela época!).Minha vida mudou pra sempre a partir daquele dia.
Eu queria ser amiga daquela garota e iria ser....nem que pra isso tivesse que aprender inglês!
E assim começa a nossa história...
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Um comentário:
Que relato bonito. Sua motivaçao tinha nome rosto e nacionalidade diferente. Voce transformou curiosidade em objetivos,metas. E multiplica o SABER adiquirido dividindo com seus alunos. Esse é o mistério Divino-
Dividir,doar , tem como resposta Ganhar(amigos,afetos) Sempre.
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